Festa em Campo Grande inclui missas, barraquinha e show pirotécnico. Organizadores contam que primeira edição é anterior ao ano de 1961.

 

Público observa fogueira acesa em 2013 no
povoado (Foto: Ricardo Welbert/G1)

O povoado de Campo Grande, na zona rural de Pitangui, prepara mais uma edição da tradicional festa em homenagem a São João Batista, de 24 a 28 de junho. O registro mais antigo do evento é uma foto datada de 1961, quando ainda se chamava “Festa dos Carreiros”. Mas, organizadores afirmam que a comemoração começou muitos anos antes. As principais atrações da edição de 2015 serão a queima de uma fogueira de cerca de 20 metros de altura (no dia 27) e uma cavalgada (dia 28).

A festa – que inclui missa, música ao vivo e show pirotécnico – atrai milhares de pessoas todos os anos. Jerônimo Antero Alves é um dos festeiros. Ele explica que uma barraquinha montada ao lado da igreja costuma vender, em média, 200 quilos de feijão tropeiro, 500 litros de caldo de mandioca e 1.800 cachorros quentes. “O ponto alto é a queima de fogos de artifício, que há 22 anos é feito por uma empresa de Santo Antônio do Monte”, explicou.

Tudo começa na igreja de São João Batista – a única do povoado. No alto da torre fica o sino cujo badalo, ao soar, convida o público para as celebrações. Logo após a missa, um dos festeiros sobe na torre central e dispara um aviãozinho fogueteiro que corre por um fio de arame e acende a fogueira, de 25 metros de altura. “Em 2014, foram investidos R$ 6,5 mil no espetáculo – dinheiro arrecadado por meio de doações de fiéis e da venda de rifas. Cada morador ajuda como pode”, disse Jerônimo.

Ele exerce a função há cerca de 20 anos e conta que o foguetório costumava ser mais simples. “Hoje tudo é mais tecnológico, com fogos que disparam cada vez mais alto. Mas, como aqui antes não tinha energia elétrica, parece que a queima de fogos ficava mais atrativa. Vinham vários ônibus de Divinópolis, Contagem e Campinas. Naquela época eram mais pessoas, mas hoje ainda vêm bastante. Com a grande evolução do mercado automotivo, hoje todo mundo tem carro e fica mais fácil vir e trazer mais gente. Em noites de festa, faltam vagas para estacionar perto da igreja. No ano passado, calculamos um público de 7,8 mil pessoas”, detalhou. (Assista ao vídeo)

Na festa de 2014, quando a fogueira já se desfazia, uma tora em chamas caiu e atingiu um homem. “Havíamos feito uma fogueira de tamanho recorde, com 23 metros de altura. Quando os bombeiros chegaram para fazer uma vistoria, viram que a estrutura estava muito bem amarrada, concluíram que a queima seria segura e nos autorizaram a fazê-la. Somente durante a madrugada, horas depois de a fogueira ter sido acesa, é que as toras poderiam cair. Mas, a área estava bem isolada com fitas zebradas e não havia perigo para quem ficasse atrás desse limite estabelecido”, relatou.

Banda toca durante festa de São João Batista em
2014 (Foto: Ricardo Welbert/G1)

Mesmo assim, o homem decidiu se aproximar da fogueira. “Por várias vezes pedimos a ele que se afastasse, mas ele dizia e repetia que havia feito seguro de vida, por isso não se preocupava. Como se seguro de vida evitasse morte. Quando uma das toras da estrutura caiu, ele foi atingido na perna e ficou ferido. Passaremos a usar também uma cerca de arame liso em volta da fogueira. Os bombeiros nos orientaram.  Esperamos que ninguém mais ultrapasse a área de segurança da fogueira”, disse Jerônimo.

Para a festa de 2015, os organizadores preparam uma novidade. “Faremos a primeira Cavalgada de São João Batista. Será no domingo, um dia após a tradicional queima de fogos. Ainda estamos planejando, mas o evento já está sendo bastante comentado. Sem dúvida vai agregar valor à nossa festa. Quem participar terá direito a um almoço aqui”, acrescentou a festeira Rafaela Barcelos.

Devoção ao santo
Quem também gosta de ajudar na festa é a dona de casa Maria do Pilar Lataliza de França de Freitas, de 59 anos, devota de São João Batista. “Nasci e cresci aqui em Campo Grande, mas moro na cidade de Pitangui há 37 anos. Sempre acho um jeitinho de vir ajudar na festa. Contribuo no que for preciso, principalmente na parte da cozinha”, relata.

“Antigamente, a festa era mais religiosa e restrita aos moradores do povoado. Hoje, a diferença é enorme, porque os fogos atraem muita gente de fora. Pretendo continuar ajudando na organização conforme eu puder”, finalizou Maria.

Foto datada de 1961 é registro mais antigo da festa, quando ainda se chamava “dos Carreiros” (Foto: Ricardo Welbert/G1)

 

Fonte: G1/Centro-Oeste