Obra de autoria dos jornalistas José Eustáquio de Oliveira e Airton Guimarães será lançada em Belo Horizonte nesta terça-feira (19).

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O livro “Bandeiras de Minas”, dos jornalistas José Eustáquio de Oliveira e Airton Guimarães, será lançado na próxima terça-feira (19)

Para você, o que são bandeiras? Para os autores do livro “Bandeiras de Minas”, é possível pensar nelas como símbolos fortes de comunicação, capazes de representar ideias, ideais e mesmo paixões. A obra, que conta com o patrocínio do Governo de Minas e da Cemig,chega ao público na terça-feira (19) – o sugestivo Dia da Bandeira –e tem autoria dos jornalistas José Eustáquio de Oliveira e Airton Guimarães, com pesquisa histórica de André Guimarães e projeto gráfico de José Afonso Cézar. O estudo traça não só uma análise da evolução desse símbolo, mas apresenta também uma ampla pesquisa sobre sua presença no Brasil e em Minas Gerais.

Um dos destaques da publicação está em reunir, em detalhes, com logomarca e texto explicativo, as bandeiras da maioria dos municípios mineiros.  “Por não existir uma legislação que obrigue a criação desses símbolos, é comum observar municípios que não possuem bandeiras, brasões, ou hinos próprios”, justificam os autores.

Essas e outras curiosidades podem ser conferidas no livro, que contou ainda com o apoio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na pesquisa de informações junto às prefeituras. A publicação também se apresenta, segundo o governador Antonio Anastasia, que assina o prefácio do livro, em um ótimo momento. “Este é um registro inédito, que resgata o legado cívico e simbólico das flâmulas, das bandeiras e dos estandartes mineiros”, afirma Anastasia.

A obra da Editora Vega tem seu lançamento agendado na Livraria Leitura do Shopping Pátio Savassi, em Belo Horizonte, às 19h. Em entrevista à Agência Minas, um dos autores José Eustáquio de Oliveira fala sobre a inspiração para a construção desse registro inédito, além de apresentar outras curiosidades sobre a obra.

Como surgiu a ideia de fazer um registro relacionado a esse símbolo cívico? Quais foram as motivações?

A ideia surgiu de uma conversa com o então secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, o jornalista Washington Melo. Ele nos contou que percebera, nas solenidades e eventos que envolviam o Governo do Estado, Assembleia Legislativa e municípios, que muitas cidades de Minas não tinham bandeiras que as representassem. E chegou até a elaborar um projeto para incentivar aquelas cidades a criarem suas bandeiras. Pensei, então, que uma forma interessante de participar do projeto seria fazendo um livro que apresentasse as bandeiras das cidades mineiras, nos moldes do “Bandeiras de Minas”. O projeto não foi adiante, mas o livro virou realidade.

Qual é o principal objetivo da publicação?

Ao fazermos o “Bandeiras de Minas” nosso objetivo foi apresentar, em um único volume, as bandeiras dos municípios mineiros que as possuem, explicando seu significado simbólico como elemento representativo daquelas sociedades. E, dessa maneira, contribuir para a valorização da cultura cívica e histórica dos municípios, por meio do fortalecimento da identidade culturas e da noção de pertencimento de seus cidadãos.

Minas Gerais tem 853 municípios. É também o Estado com o maior número de bandeiras? Há informação de quantas são as cidades que possuem esse símbolo?

Certamente Minas Gerais é o estado da federação que conta com o maior número de municípios. Porém, dos 853 existentes, conseguimos registrar, no livro, as bandeiras deapenas 434 cidades. Por dois motivos: boa parte dos municípios foram criados recentemente e ainda não têm sua bandeiras. E existem aqueles que têm bandeiras, mas elas não são reconhecidas pelo grupo político que se encontra no poder atualmente.

O livro menciona curiosidades sobre a construção desse símbolo pelo Estado.Você se lembra de alguma em particular?

Um caso curioso – e muito romântico, por sinal – é o da cidade de Acaiaca, cuja bandeira apresenta uma lua em homenagem, segundo palavras de seus próprios criadores, “ao fato de, na década de 1950, os moradores fazerem serenatas, inspirados pelos reflexos da lua no rio Carmo, que tornavam a água um verdadeiro espetáculo, com aparência prateada”.

E quanto à bandeira de Minas Gerais- ela é um exemplo de símbolo da tradição, comalguma referência expressa à história do Estado?

A bandeira de Minas Gerais é “filha dileta” do movimento que culminou na Inconfidência Mineira, a primeira e mais emblemática contestação política do domínio português sobre o Brasil. Em homenagem aos heróis de Vila Rica, a bandeira do Estado de Minas Gerais, de acordo com os planos dos conjurados mineiros, seria adotada após a independência em relação a Portugal.

Qual é, em sua opinião, a importância de manter um registro oficial das bandeiras de Minas?

É quase um mantra a constatação de que o Brasil é um país que valoriza pouco a sua memória histórica. No que diz respeitos aos símbolos nacionais, somos um país que os cultuamos pouco e, durante muito tempo, quase que envergonhadamente. É que eles foram muito utilizados pelas ditaduras que subjugaram a naçãoao longo de nossa história. O resgate da bandeira e do hino nacional como símbolos autenticamente nacionais se deu a partir da campanha Diretas-Já, que tomou conta do país em meados da década de 80. Este é um processo quetorna a ganhar corpo a cada movimento que envolve a presença do povo nas ruas.

E por que podemos dizer que elas são um fenômeno como símbolo de comunicação?

Bandeiras são muito mais que um “pedaço de pano”, colorido ou não, amarrado na ponta de uma haste. São manifestações da comunicação humana que simbolizam países, estados, municípios; representam agrupamentos de pessoas em torno de ideias ou paixões (um partido político ou um time de futebol, por exemplo), ou funcionam como instrumentos de sinalização ou informação para variadas atividades, como as normas de trânsito das cidades.

Fonte: Agência Minas